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Nuredam/UERJ

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VII Fórum de Educação Ambiental- “Arte, Educação Ambiental e Rede Sociotécnica: um caminho para a espiritualidade”

O evento foi realizado entre 28 e 29 de setembro de 2010.

Palestrantes

Marco Antônio Silva – Instituto DARMA (RN); Mª Aparecida Lopes Nogueira – Núcleo de Estudos Brasileiros Ariano Suassuna e PPGA/UFPE; Nil Moura – Circo Grock; Maharaj Purushatraya Swami – Ecovila Goura Vrindavana – Paraty; Roberto Conduru - UERJ.

Mesa-redonda

Paletrantes: Maria Aparecida Nogueira - professora do Programa de Pós-graduação em Antropologia e coordenadora do Núcleo de Estudos Brasileiros Ariano Suassuna Da UFPE; Nil Moura, artista, palhaço de circo, diretor da escola de circo EPAC-Escola de Pontiguar das Artes de Circo.
Exposição da Professora Maria Aparecida Nogueira
Articula arte e ciência nos estudos de antropologia da arte e veio a esse fórum apresentar o seu trabalho intitulado “A criatividade como um sopro que articula arte e ciências”. Após a apresentação de duas poesias, uma de Manuel de Barros e a outra de Fernando Pessoa, Maria Aparecida propôs uma nova aliança entre o ser humano e a natureza através da articulação da arte com a ciência, pois ambas nutrem-se do “mesmo húmus - a criatividade”. A arte e a ciência exprimem o real.

Exposição Nil Moura

O sopro da criatividade, tanto na arte como na ciência, possibilita o enfrentamento das incertezas e a emergência de uma antropoética em que cientistas e artistas, com suas singularidades, reiteram a totalidade.

Para Nil, é fundamental que outras expressões de vida sejam trazidas para a Academia. Na escola de teatro percebe-se que o campo do teatro é amplo e abre-se uma janela para a construção de diferentes personagens que contribui para a elaboração de uma representação. No teatro, palavras podem ter significados distintos, por exemplo: bravo - relacionado à bravura e bravo como expressão do estado de espírito satisfatório por uma boa encenação teatral.

No picadeiro, o palhaço tem que fazer da apresentação, um espetáculo. No picadeiro, não dá para fingir que rodou no ar, que saltou do alto e que alguém lhe pegou, não dá.

A personagem pode ser sem rosto- a composição da personagem ultrapassa o palco. Por que algumas pessoas compõem seu personagem trajando diferentes imagens para desempenhar a mesma função? Nutrem os trabalhos com imagens, pois quanto mais imagens, maior a possibilidade de vislumbrar a relação entre a arte e a vida e de vislumbrar que o palhaço seja algo além de um rótulo. “As pessoas não querem enxergar as pessoas, mas as personagens”.

Ao se transformar em palhaço, o sujeito torna-se subversivo, quebrador de regras e de um equilíbrio há dez metros de altura, em uma corda bamba, cada passo.

Não há como sair do seu único momento. Não faz parte do ator assistir ao espetáculo. Não podemos não estar presentes em nosso espetáculo. É preciso estar atento a cada passo, pois ele é único e representa toda a sua vida.

Vida não é o contrário de morte e cada momento é um único momento seu.

Como o palhaço poderia se tornar subjetivo? Se entendesse cada passo como sendo o mais importante objetivo. Poderia levar um pouco do ator para a sua personagem. No ator não há palavras, só expressões. O artista permanece lá. O artista é silêncio e a fonte da personagem. Como artista, é impossível criar outro espaço para buscar um sentido para o seu espetáculo. Uma busca mais profunda de si em um lugar fechado não pode ser um circo. A busca dentro do circo permite que cada pedacinho do aprendizado do circo seja uma desculpa para entrar no real. Nesse processo de busca, o artista entende que não necessita de um espaço específico para estar em silêncio. Ele existe no ator. Ele é a essência da personagem. Mas, se buscar o tempo todo, dizer que a característica da sua personagem é o ator, brincar de despir e vestir, há sempre o ator, mas vários personagens. Se você mergulhar nisso, quem lhe dará suporte para representar? É o nosso silêncio, silêncio que escuta. As nossas personagens trabalhando sem parar, com o único propósito de ficar em silêncio. Mas o que a gente silencia continua vindo de algum lugar.

Essa imagem representa a cultura, a religião, mas alguém está olhando, não se afete. Determinados fardos são complicados, querem te segurar, mesmo que você queira soltar esse fardo que o segura. Então, você quer jogar tudo fora. É preciso entender que esse passo já foi dado na sua corda bamba.

Por isso, é preciso apagar os olhos, para que eles possam enxergar o novo dia e o novo não é o mesmo repaginado. A gente só se organiza com o tempo. São eternamente presentes.

O malabarista só se aperfeiçoa quando ele repete muitas vezes. E nós fazemos esse mesmo malabarismo, repetindo mesmo sabendo que o outro lado da corda bamba depende do que se fez a cada passo.

Colecionamos gestos, conceitos que podem não significar o que você gostaria de estar vivendo, mas se parar, ouvirá o silêncio e poderá encontrar o sagrado que está dentro de você. O sagrado que está além dos seus pensamentos, que não está na nuvem de ideias, mas que está além das suas personagens.

Pode o ser humano ir além dos seus pensamentos, dos seus comportamentos, de sua arte e encontrar o seu sagrado. O contato que está além dos seus fundamentos, com os seus conceitos, pode configurar algo que está além do que pode ser capturado por sua mente pensante, como por exemplo, o sentir.

Será que existe a possibilidade de entrar em contato com algo que está além dessas ideias sagradas? O que está além não é algo que se acredita, mas é algo que se sente, se ouve, se absorve com algum sentido. Se você consegue se despir dos conceitos e permite se aquietar, você pode começar a perceber que existe vibração nas montanhas, nas árvores, porque o vento sopra, os pássaros voam. Quando pensamos que a rocha está viva, tem átomos, é uma ideia. Quando sentimos a vibração da rocha, quando somos capazes de sentir a vibração de cada ser porque nos conectamos com o olhar do homem que varre o chão da rua, porque sentimos o calor dos seres vivos, não é pensamento, mas é a conexão com o sagrado. Estar diretamente ligado a tudo que se move, a perspectiva do presente é tão verdadeira que não tem passado e nem futuro, por ser tão concreto.

Há uma possibilidade de se desenvolver no corpo humano uma sensibilidade que pode trazer o sentido do sagrado para a sua vida. A porta de entrada para este estado é um estado de aquietamento do coração, do seu corpo, da sua mente, do seu espírito. A partir disto pode surgir essa sensibilidade.

Enquanto houver ansiedade, medo, aflição, não se pode conhecer essa sensibilidade que permite colocar em sua vida o sentido do sagrado para que brilhe, respire, emane calor e que provoque respeito.

A experiência direta do que é sagrado depende de uma conexão de sua mente inteligente com o que é sagrado no seu coração.

Núcleo de Referência em Educação Ambiental

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