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Ecologia - termo usado em 1858 por Henry David Thoreau e, em 1866, por Ernest Hacckel, ganhando acepção científica dentro da sociedade civil como movimento social ecologista e, na academia, como disciplina científica. No início do século XX, consolida-se como subdisciplina da biologia, passando a ser conhecida como “ecologia natural”. Em 1930, funda-se a “ecologia humana”, aplicando-se os métodos de ecologia natural para as sociedades humanas. Na década de 50, surge a ecologia cultural que produziu várias ramificações a partir de estudos antropológicos (Steward, 1938 e 1955) em resposta às novas realidades políticas e ambientais confrontadas pelas sociedades atuais (globalização e crise ambiental): etnoecologia (Conklin, 1954); ecologia neofuncionalista (Rappaport, 1968); ecologia humana (Moran, 1990); ecologia processual (Bennett, 1993); ecologia espiritual (Kinsley, 1995); ecologia política (Schrnink; Wood, 1987). Cada uma dessas ramificações pode servir para entender as múltiplas dimensões da realidade e para analisar os modos culturalmente específicos de adaptação ecológica de distintos grupos sociais – seus sistemas produtivos, tecnologias, recursos naturais e ideologias utilizadas para justificar seu modo de adaptação e as reivindicações territoriais que defendem, assim como a interação dinâmica e conflituosa provocada pelo choque entre esses modos de adaptação. Nos últimos 20 anos, a ecologia política emergiu como um novo campo de pesquisa.

Ecologia Política – a ecologia política combina a ecologia humana, que estuda as interrelações que as sociedades humanas mantém com os ambientes biofísicos, e os conceitos de economia política, que analisa as relações estruturais de poder entre essas sociedades, com o diálogo entre as diferentes disciplinas, que cria um espaço transdisciplinar próprio das ciências naturais e sociais, embora não elimine as diferenças entre elas, pelo contrário, as realce. Nesse campo, a tarefa da ecologia política consiste em delimitar e caracterizar estes processos de articulação com o objetivo de sugerir a realização de novas confluências potenciais capazes de produzir relações ecológicas e sociais mais justas e sustentáveis (ESCOBAR, 2005).  Para Enrique Leff (2006: 19-39), a Ecologia Política é um campo teórico-prático capaz de arquitetar um novo território de pensamento crítico e de ação política que se constrói no encontro e na contracorrente de diversos pensamentos, éticas, comportamentos e movimentos sociais. Nascida no interior da Economia Ecológica com o escopo de analisar os processos de significação, valoração e apropriação da natureza que vão além da valorização econômica do meio natural, abarcando questões axiológicas, culturais e políticas, a Ecologia Política transcende o território da economia ecológica e descortina um novo horizonte ao estudar os conflitos ecológicos distributivos. Segundo Loureiro (2012, p. 14), refere-se ao estudo e ao reconhecimento de que agentes sociais com diferentes e desiguais níveis de poder e de interesses demandam, na produção de suas existências, recursos naturais em um determinado contexto ecológico, disputando-os com ourtros agentes.   

Ecologia profunda ou ecologia radical – termo criado por Arne Naess, filósofo e alpinista norueguês, na perspectiva de descrever uma abordagem para a questão ecológica que fosse além do entendimento da ecologia como ciência strito sensu e abrisse caminho para um questionamento de ordem filosófica e espiritual. Suas características são: “percepção da unidade fundamental da vida, na qual os seres humanos não são nem “sujeitos” separados de um real reduzido à categoria de objeto, nem a medida de todas as coisas, mas, integrados num universo que é compreendido a partir de uma ética ecológica que pressupõe uma cosmologia e uma ontologia que devolva ao ser humano a experiência de um universo pleno de sentido – o que significa uma re-espiritualização e um re-encantamento de nossa visão de mundo. Martin Heidegger é uma das principais referências filosóficas da ecologia radical (UNGER, 1991, pp. 71-73). Para Ferry, a ecologia profunda é uma tendência é uma tendência fundamentalista que reivindica a natureza como um todo, como sujeito de direito e, nessa perspectiva, o antigo contrato social deve dar lugar a um contrato natural, no qual “o homem já não é o centro do mundo, o qual deve proteger primeiramente, antes de si mesmo, senão ao cosmos como tal deve ser defendido dos homens” (FERRY, 1992, p. 32).

Ecologia social – corrente ambientalista que admite uma interação solidária e criativa entre ser humano e natureza, com respeito a valores democráticos.

Economia ecológica - área do conhecimento que busca compreender e conhecer as articulaçőes entre a economia (produção-circulação-distribuição-consumo de bens) e os processos sociais a esta associados na apropriação e repartição dos recursos naturais, considerando os fluxos materiais e energético que estabelecem as condições vitais nas quais atuamos. 

Economia verde - Noção mais recente que desenvolvimento sustentável, pode ser definida como a que “resulta em melhoria do bem-estar humano e equidade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica” (United Nations, 2011, p. 16). Essa economia apresenta baixas emissões de carbono, eficiência na utilização dos recursos naturais e inclusão social. Os partidários dessa linha argumentativa defendem que não há incompatibilidade entre sustentabilidade e crescimento econômico e postulam que a economia verde pode ser feita por países ricos e países pobres. 

Economia solidária – Singer (2005, p. 139) sugere que uma empresa pode ser gerida democraticamente pelo conjunto dos seus trabalhadores. Com o princípio da autogestão, introduz-se a democracia no mundo econômico.

Ecossistema – unidade que, abrangendo o conjunto de seres vivos e todos os elementos que compõem determinado meio ambiente, é considerado um sistema funcional de relações interdependentes no qual ocorre uma constante reciclagem de matéria e um constante fluxo de energia (MMA/MEC/IDEC, 2005, p. 148).

- conjunto de fatores bióticos e abióticos que se relacionam entre si e constituem determinada regiăo, formando um sistema com equilíbrio dinâmico e com características e fisionomias específicas. (LOUREIRO, 2012)

Ecoturismo – segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva a sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações envolvidas (MMA/MEC/IDEC, 2005, p. 149).

Educação – do latim educator-õris refere-se ao processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do sujeito (CUNHA, 2007, p. 284). 

prática social cujo fim é o desenvolvimento humano naquilo que pode ser aprendido e recriado a partir dos diferentes saberes existentes em uma cultura, de acordo com as necessidades e exigências de uma sociedade. Atua tanto no desenvolvimento da produção social, inclusive dos meios instrumentais e tecnológicos de atuação no ambiente, quanto na construção e reprodução dos valores culturais. É por isso que normalmente à educação se associam palavras e conceitos como: ensino, aprendizagem, sensibilização, mobilização, organização, diálogo, reflexăo, conhecimento, atitudes, comportamentos e habilidades. Nenhum destes é suficiente em si mesmo, mas todos săo indispensáveis para que o processo educativo ocorra. (LOUREIRO, 2012)

Educação Ambiental - definida como práxis político-social, reflexiva sobre a vida e a natureza, formativa e transformadora da realidade, a educação ambiental insere-se no processo permanente de aprendizagem e de desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva dos sujeitos facultando-lhes a compreensão dos sistemas socioambientais complexos e a criação de estratégias educativas que fomentem a produção de múltiplos saberes, a superação da hierarquia entre conhecimentos científico-tecnológicos modernos e saberes e práticas tradicionais, a produção de novos sentidos civilizatórios e de atitudes críticas, solidárias e autônomas que subsidiem a participação social, o exercício da cidadania e a refuncionalização dos processos econômicos e tecnológicos, ajustando-os aos objetivos da dinâmica ambiental, da justiça social e da diversidade cultural (NEFFA&SILVA, 2010).

Educomunicação socioambiental - educomunicação é o conjunto de práticas voltadas para a formação e o desenvolvimento de ecossistemas comunicativos em espaços educativos, mediados pelos processos e tecnologias da informação, tendo como objetivo a ampliação das formas de expressão dos membros das comunidades e a melhoria do coeficiente comunicativo das ações educativas (SOARES, 2005). Segundo Olabarriaga (2007, p.119), são ações práticas e reflexivas que decorrem da apropriação de processos e tecnologias de comunicação e informação objetivando a melhoria do coeficiente comunicativo e a ampliação da expressão dos membros de uma determinada comunidade e de ações educativas que pretendam realizar intervenções socioambientais para a promoção de sustentabilidade. Geralmente, são desenvolvidas por meio de processos formativos que envolvem atividades de educação ambiental com o objetivo de dotar moradores de uma mesma comunidade a produzirem informações significativas para os seus membros, utilizando-se de recursos tecnológicos alternativos e de baixo custo. Educomunicação Socioambiental diferencia-se de Educomunicação pois, enquanto esta objetiva a produção de informações com propósitos diversos, aquela se apropria de processos educomunicativos para promover informações que visam à intervenção socioambiental.

Emancipação – do latim emancipare significa eximir do pátrio poder ou da tutela (CUNHA, 2007, p. 289). A noção de emancipação, historicamente utilizada para significar a abolição de restrições e opressões jurídicas, sociais e políticas que motivaram movimentos de libertação de diversos matizes – escravos, camponeses, operários, etnias etc...- vive contemporaneamente um processo de ressignificação para incorporar a defesa do amplo desenvolvimento das liberdades humanas e não-humanas. Nesse sentido, a emancipação é entendida para além de seu sentido jurídico e político convencional, integrando tanto a emancipação no nível da vida e da saúde psíquica do indivíduo quanto a emancipação da natureza de todas as formas de dominação que sobre eles se imponham (LIMA, 2004).

refere-se aos processos individuais e coletivos de busca de liberdade e autonomia, com o objetivo de ampliar as possibilidades pessoais de realização e o potencial criador humano. Isso implica a luta social pela superação das formas de exploração, dominação e opressão (de classe, gênero, etnia, geracional entre outras). No caso da sociedade capitalista vigente, significa fundamentalmente a supressão de todas as formas de expropriação inerentes ao seu modo de produção. (LOUREIRO, 2012)

Empirismo – escola que se aproxima do materialismo (filosófico) e do positivismo e opõe-se ao racionalismo europeu. Fundada pelo inglês John Locke, no século XVII, propugna a experiência como base do conhecimento científico, ou seja, que as teorias devem ser formuladas e explicadas a partir da observação do mundo e das experiências científicas (teoria da "Tábua Rasa" de J. Locke). Segundo Locke, “nada pode existir na mente que não tenha passado antes pelos sentidos”. David Hume (1711-1776), outro importante teórico empirista escocês, contribuiu com a epistemologia ao discutir o princípio da causalidade a partir do pressuposto da não existência da conexão causal, mas de uma seqüência temporal de eventos, observável.

Enciclopedistas – filósofos que contribuíram para a difusão das idéias iluministas, desde a filosofia à produção de agulhas, na obra intitulada Enciclopédia, escrita entre 1751 e 1772 e editada em vinte e quatro volumes.        

Endoculturação - processo que explica a transmissão e a aprendizagem de comportamentos dentro de uma mesma cultura (geralmente quando se é criança), feito pela educação, pela imitação e pelo condicionamento do meio social. A corrente de pensamento culturalista americana, cujos principais representantes são R. Linton, A. Kardiner, R. Benedict e M. Mead, diz que a modelagem da personalidade opera-se, inconsciente ou conscientemente, dentro das instituições de uma determinada cultura, pelo jogo das suas regras, assim como das suas práticas habituais. 

Estratégias gramscianas - Nos escritos sobre a Análise das situações - Relações de força, Antonio Gramsci (1978, p. 187-196) explica o que entende por “estratégia” e “tática”, por “plano estratégico”, por propaganda e agitação, por orgânica, ou ciência da organização e da administração em política. Chama atenção para os elementos de observação empírica que deveriam começar pelas relações de forças internacionais para passar às relações sociais objetivas, isto é, ao grau de desenvolvimento das forças produtivas, às relações de força política e de partido. Salienta que a questão fundamental está na análise das relações entre a estrutura e as superestruturas, ou seja, na análise das forças que atuam na história de um determinado período e da relação existente entre elas. Para tanto, sugere a reflexão de dois princípios extraídos de Karl Marx no Prefácio à Crítica da Economia Política para que outros princípios da metodologia histórica possam ser alcançados. O primeiro princípio diz que “nenhuma sociedade se atribui tarefas para cuja solução não existam as condições necessárias e suficientes ou não estejam pelo menos em via de aparecimento ou de desenvolvimento” e o segundo esclarece que “nenhuma sociedade se dissolve e pode ser substituída se antes não desenvolveu todas as formas de vida implícitas nas suas relações”. Entretanto, para Gramsci, o estudo de um período histórico, não só do passado, mas principalmente, do presente, demanda a análise da estrutura e a distinção entre os movimentos orgânicos (relativamente permanentes) e os movimentos “de conjuntura” (ocasionais, imediatos, quase acidentais). Enquanto os fenômenos orgânicos fazem uma crítica histórico-social, que atinge os grandes agrupamentos que vão além dos dirigentes, os fenômenos de conjuntura, ainda que dependentes dos movimentos orgânicos, dão lugar a uma crítica política miúda, que atinge os pequenos grupos dirigentes e os responsáveis pelo poder. Segundo Gramsci, o nexo dialético entre “movimentos” e fatos orgânicos e movimentos e “fatos de conjuntura” ou ocasionais devem ser aplicados a todos os tipos de situações.

Epistemologia - ramo da filosofia que se ocupa do conhecimento humano, pelo que também é designada de “teoria do conhecimento”.

Escola de Frankfurt – fundada em 1924 por Félix Weil, a Escola de Frankfurt refere-se a uma escola de teoria social interdisciplinar neo-marxista, particularmente associada ao Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt/Alemanha. Destacam-se como seus representantes – Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Jürgen Habermas, Eric Fromm, Franz Leopold Neumann, Otto Kirchheimer.

Espaço – o espaço é formado por dois componentes que interagem continuamente: a configuração territorial – conjunto de dados naturais (plantações, canais, caminhos, portos e aeroportos, redes de comunicação, prédios residenciais, comerciais e industriais etc.), mais ou menos modificados pela ação consciente do homem, através de sucessivos “sistemas de engenharia”; e a dinâmica social ou o conjunto de relações que definem uma sociedade em um dado momento com suas variáveis econômicas, culturais e políticas que dão uma significação e um valor específicos ao meio técnico criado pelo homem, isto é, à configuração territorial. O espaço é resultado de ação do homem agindo sobre o próprio espaço através dos objetos, naturais e artificiais. O espaço total é constituído de subespaços: agrícolas, urbanos, estratégicos, etc. Desses, somente o subespaço urbano tem as condições requeridas (aparelho terciário) para manter relações com os demais subespaços. A rede urbana tem o papel fundamental na organização do espaço, pois assegura a integração entre fixos e fluxos, isto é, entre a configuração territorial e as relações sociais. O espaço resulta do casamento da sociedade com a paisagem. O espaço contém o movimento. O espaço é formado por sistema de engenharia e fluxos de relações. Esses sistemas deixam sua marca concreta nos objetos materiais geográficos que formam a configuração territorial e as paisagens, as quais funcionam como condição do desenvolvimento social. Paisagem e espaço são pares dialéticos, complementam-se e se opõem. O espaço é o resultado da soma e da síntese, sempre refeita, da paisagem com a sociedade através da espacialidade. A paisagem tem permanência e a espacialidade é o momento. O espaço é a paisagem mais a vida nela existente; é sociedade encaixada na paisagem, a vida que palpita conjuntamente com a materialidade. A configuração territorial é o conjunto total, integral, de todas as coisas que formam a natureza em seu aspecto superficial e visível. O espaço é a totalidade verdadeira, porque dinâmica, resultado da geografização da sociedade sobre a configuração territorial. Espaço é formado de fixos e fluxos. As categorias clássicas, isto é, a produção, a circulação, a distribuição e o consumo podem ser estudados através destes dois elementos (SANTOS, 1994, pp. 67- 81).

Estratégias gramscianas - Antonio Gramsci explica o que entende por “estratégia” e “tática”, por “plano estratégico”, por propaganda e agitação, por orgânica, ou ciência da organização e da administração em política em seus escritos sobre a Análise das situações - Relações de força (1978, p. 187-196). Chama atenção para os elementos de observação empírica que deveriam começar pelas relações de forças internacionais para passar às relações sociais objetivas, isto é, ao grau de desenvolvimento das forças produtivas, às relações de força política e de partido. Salienta que a questão fundamental está na análise das relações entre a estrutura e as superestruturas, ou seja, na análise das forças que atuam na história de um determinado período e da relação existente entre elas. Para tanto, sugere a reflexão de dois princípios extraídos de Karl Marx para que outros princípios da metodologia histórica possam ser alcançados. No Prefácio à Crítica da Economia Política, Marx postula esses dois princípios ao afirmar que

“uma formação social não perece antes que se tenham desenvolvido todas as forças produtivas pelas quais ela é ainda suficiente, e não se instalam em seu lugar novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais de existência destas últimas se tenham alojado no próprio seio da velha sociedade. Por isso, a sociedade só se coloca sempre aquelas tarefas que pode resolver; se se observa com mais cuidado ver-se-á que a própria tarefa nasce apenas onde as condições materiais da sua resolução já existem ou pelo menos estão em vias de aparecer”.

Em síntese, o primeiro princípio diz que “nenhuma sociedade se atribui tarefas para cuja solução não existam já as condições necessárias e suficientes ou não estejam pelo menos em via de aparecimento ou de desenvolvimento” e o segundo esclarece que “nenhuma sociedade se dissolve e pode ser substituída se antes não desenvolveu todas as formas de vida implícitas nas suas relações”. Entretanto, para Gramsci, o estudo de um período histórico, não só do passado, mas principalmente, do presente, demanda a análise da estrutura e a distinção entre os movimentos orgânicos (relativamente permanentes) e os movimentos “de conjuntura” (ocasionais, imediatos, quase acidentais). Enquanto os fenômenos orgânicos fazem uma crítica histórico-social, que atinge os grandes agrupamentos que vão além dos dirigentes, os fenômenos de conjuntura, ainda que dependentes dos movimentos orgânicos, dão lugar a uma crítica política miúda, que atinge os pequenos grupos dirigentes e os responsáveis pelo poder. Segundo Gramsci, o nexo dialético entre “movimentos” e fatos orgânicos e movimentos e “fatos de conjuntura” ou ocasionais devem ser aplicados a todos os tipos de situações.

Estruturalismo – movimento associado especialmente a Claude Lévi-Strauss (1908 - 2009), que se propõe analisar as relações sociais em termos de estruturas relacionais altamente abstratas, não raro expressas em simbolismo lógico. Tipo de investigações e idéias que, em qualquer campo do conhecimento, faz uso do conceito de estrutura, entendido como um sistema ou como um conjunto de sistemas. Floresceu, especialmente na França, com autores como Claude Lévi-Strauss, Jacques Lacan, Louis Althusser, Michel Foucault, Roland Barthes. Sigmund Freud, Karl Marx e Jean Piaget antecedem muitos dos temas tratados pelos estruturalistas, embora não sejam incluídos entre eles, assim como Chomsky na contemporaneidade. Opõe-se ao causalismo e ao historicismo.

Ethos – em grego, ethos significa costume, donde vem a palavra ética e em latim diz-se mores, donde vem moral. Em grego existem duas vogais para pronunciar e grafar nossa vogal e: uma vogal breve, chamada epsilon e uma vogal longa chamada eta. Ethos, escrita com a vogal longa significa costumes e escrita com a vogal breve significa caráter, temperamento, índole natural. Nesse sentido, a palavra ethos significa as características que determinam quais virtudes e vícios cada pessoa é capaz de praticar, referindo-se ao senso moral e à consciência ética individuais. Essa consciência do sujeito que sabe o que faz, conhece as causas e as finalidades de sua ação, o significado de suas intenções e atitudes, a essência dos valores morais, determina a existência do sujeito ético-moral.

Ética – estudo dos conceitos envolvidos no raciocínio prático: do bem, do dever, da virtude, da liberdade, da racionalidade, da escolha e da ação correta. A ética é um saber prático. Esse saber, por sua vez, distingue-se de acordo com a prática, considerada como práxis e como técnica. Na práxis, há uma inseparabilidade entre o agente, a ação e a finalidade do agir. Por exemplo, dizer a verdade é uma virtude do agente, inseparável de sua fala verdadeira e de sua finalidade que é proferir uma verdade. Na práxis, somos o que fazemos e a finalidade é virtuosa. Na técnica, ao contrário, o agente, a ação e a finalidade são independentes uns dos outros. O carpinteiro realiza uma ação técnica, mas ele próprio não é essa ação, nem a mesa produzida por ele. Aristóteles acrescenta à consciência moral, trazida por Sócrates, a vontade racional, a escolha que permite que decidamos sobre o que está em nosso poder realizar sem nos deixar levar pelas circunstâncias, pelo instinto ou por uma vontade alheia, o que afirma uma independência e uma capacidade de autodeterminação. Para tanto, Aristóteles elege a prudência como a melhor virtude para que o sujeito ético obedeça a sua consciência e a sua vontade racional, conheça os meios adequados para chegar aos fins morais, sendo a busca do bem e da felicidade a essência da vida ética que transcorria, para os antigos, como um embate contínuo entre as paixões e a razão, num processo de educação do caráter e do desenvolvimento da moderação. Vida ética que é ação em conformidade com a natureza (cosmos) e com a nossa natureza (nosso ethos) que é parte do todo natural. Em outras palavras, podemos dizer que a esses dois aspectos da ética – racionalismo e naturalismo – os antigos atrelavam a inseparabilidade entre a ética e a política, isto é, entre a conduta do indivíduo e os valores da sociedade, pois somente na vida compartilhada com outros encontramos liberdade, justiça e felicidade. O advento do cristianismo introduziu duas diferenças na antiga concepção ética: em primeiro lugar, a ideia de que por meio da fé e da caridade o indivíduo definiria sua relação com Deus e com os outros, a partir da intimidade e da interioridade de cada um; em segundo lugar, a afirmação de que somos dotados de livre-arbítrio, a partir do pressuposto de que temos impulsos para o mal, somos fracos, pecadores e incapazes de realizar o bem e as virtudes sem auxílio divino. Tal concepção introduziu a ideia do dever e da intenção, pois o dever não se referia somente às ações visíveis, mas também às intenções invisíveis que passaram a ser julgadas eticamente. Daí, a confissão dos pecados praticados não só por atos, mas por palavras e intenções, pois a alma, invisível, tem o testemunho do olhar de Deus, que a julga. Marilena Chauí chama atenção para o fato de que essa ideia traz um problema – se a ética exige um sujeito autônomo, a idéia do dever não introduz o domínio da nossa vontade e da nossa consciência por um poder estranho a nós? Rousseau, no século XVIII procurou responder a essa dificuldade dizendo que nascemos puros e bons, dotados de generosidade e de benevolência para com os outros. Se o dever parece imposição é porque a sociedade perverteu essa bondade natural quando criou a propriedade e os interesses privados tornando os seres egoístas, mentirosos e destrutivos. O dever, nesse contexto, relembra nossa natureza originária sendo uma aparente imposição exterior. Opondo-se à “moral do coração” de Rousseau, neste mesmo século, Kant volta a afirmar o papel da razão na ética. Não existe bondade natural. Somos, por natureza, egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres insaciáveis pelos quais mentimos, roubamos, matamos, diz ele. E, justamente por isso, precisamos do dever para nos tornarmos seres morais. Embora tenhamos clareza das insuficiências e dos limites do antropocentrismo subjacente à teoria kantiana que marca a fronteira entre os seres racionais, sujeitos merecedores de direitos e de respeito, fins em si mesmos, e os demais seres viventes não humanos reconhecidos como meios, percebe-se que esta teoria teve o mérito de sublinhar a inalienável dignidade de todo ser humano e seu irrenunciável direito à liberdade e à igualdade, pondo a substância da ética não na realização de um telos (algo que pode valer para todo ser natural), mas na boa vontade que atua pelo dever, desinteressadamente. Kant parte de duas distinções para explicar o dever como forma que deve valer para toda e qualquer ação moral - a distinção entre razão pura teorética ou especulativa e razão pura prática; a distinção entre ação por causalidade ou necessidade e ação por finalidade ou liberdade. Em ambas, o sujeito é transcendental. A diferença entre razão especulativa e razão prática encontra-se em seus objetos, pois se uma tem como matéria a realidade exterior a nós, a outra cria a própria realidade, na qual se exerce. Essa diferença decorre da distinção entre a natureza, o reino da necessidade, e o reino humano da práxis, em que as ações são realizadas não por uma necessidade causal, mas por finalidade e liberdade. Essa liberdade que é capaz de criar normas e que tem o poder de impor os fins éticos ao próprio homem como expressão da lei moral em nós mesmos, como a manifestação mais alta da humanidade em nós. Em outras palavras, por dever damos a nós mesmos os valores, os fins e as leis da nossa ação moral e, por isso, somos autônomos. Mas por que eles não são espontâneos e precisam assumir a força do dever? Porque não somos somente seres morais, diz Kant, somos também seres naturais submetidos à causalidade da natureza, que nos impele a agir por interesse, motivado por determinações físicas, psíquicas, vitais, à maneira dos animais. Para sermos livres, precisamos ser obrigados pelo dever de sermos livres. O perigo está em confundirmos nossa liberdade com a satisfação irracional de todos os nossos apetites e impulsos. Daí, Kant afirmar que o dever é a lei moral interior e, como tal, é um dever categórico que enuncia a forma geral das ações morais e que entende o ato moral como aquele que se realiza como um acordo estabelecido entre a vontade e as leis universais, que ela dá a si mesma. Dessa fórmula, Kant deduz as três máximas morais que norteiam a ação humana - a universalidade da conduta ética, a separação entre o reino natural das causas e o reino humano dos fins e a dignidade dos seres humanos como pessoas, ou seja, o tratamento a ser dado a todos como finalidade da ação e, não, como meio para alcançarmos nossos interesses. O imperativo categórico coloca-nos diante da indagação se a nossa ação está em conformidade com os fins morais, isto é, com as máximas do dever. As respostas de Kant, assim como as de Rousseau, procuraram conciliar a idéia do dever e da liberdade da consciência moral colocando o dever em nosso interior e desfazendo a impressão de que ele seria imposto de fora por uma vontade estranha à nossa. Segundo Rouanet,

“a ética kantiana não nos obriga a escolher a ação moral, apenas indica qual ação, em determinado contexto, é ou não coerente com nossas escolhas fundamentais. Se decidimos agir em contradição com essas escolhas, quase certamente não se trata de uma ação moral, mas nada nos obriga, a não ser nós mesmos, a agir de outra forma, vale dizer, moralmente” (2002, p. 2).

Com base no pensamento de Kant podemos apontar que estamos, no mundo, diante de duas alternativas: fazer algo para deter a destruição das condições de vida no planeta ou não fazer. Algo como a escolha entre querer viver ou morrer. Numa perspectiva que transcende a ética antropocêntrica voltada para a contemporaneidade, a ética da responsabilidade proposta por Jonas, filósofo alemão do século XX, substitui o imperativo kantiano que se constitui no parâmetro: "Age de tal maneira que o princípio de tua ação transforme-se numa lei universal", por um novo imperativo: "Age de tal maneira que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica" ou formulado negativamente "não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na Terra". Nesse sentido, ele fala de uma ética que pressupõe a expansão da consciência humana para além de si mesma, numa perspectiva de abandono à idéia comum e egoísta de que é um indivíduo separado com interesses particulares até alcançar o sentimento de identificação com o todo que, num processo de auto-realização, caracteriza o movimento da espiritualidade humana rumo à sua transcendência (NEFFA, Elza. Ética Ambiental. Fragmento da Conferência proferida no IV Seminário Internacional de Meio Ambiente. Rio de Janeiro: UFRJ, 2009).

Etnobotânica - disciplina que compreende o estudo das sociedades humanas, passadas e presentes, e suas interações ecológicas, genéticas, evolutivas, simbólicas e culturais com as plantas (Fonseca-Kruel & Peixoto, 2004).

Externalidade – conceito comumente utilizado na economia para referir-se aos efeitos, positivos ou negativos, provocados pelas práticas produtivas que afetam aos sujeitos não participantes das instâncias decisórias relacionadas a essas atividades. A promoção pelo Estado de normas regulatórias das externalidades permite minimizar o impacto ambiental e racionalizar os custos da produção, mas não evita nem supera os conflitos de uso e distributivos, inerentes a uma sociedade de classes, tendo em vista que a incorporação das externalidades sempre ocorre sob a ótica do mercado.

conceito muito utilizado em economia, principalmente nas abordagens clássicas e neoclássicas, e basicamente se refere aos efeitos positivos ou negativos decorrentes das atividades de produção e consumo que afetam terceiros (năo participantes da tomada de decisão sobre tais atividades). Atualmente há um conjunto de possibilidades regulatórias das chamadas externalidades por parte do Estado e várias propostas que procuram incorporá-las ao cálculo econômico e aos custos da produção, minimizando o impacto ambiental e racionalizando o uso de materiais e de energia no processo produtivo. A critica a esta tentativa, que possui indiscutíveis efeitos positivos do ponto de vista da redução de gastos materiais e energéticos, decorre do fato de que a incorporação das externalidades sempre se dá sob a ótica do mercado, o que năo permite a superação de conflitos de uso e distributivos que săo próprios de uma sociedade de classes. (LOUREIRO, 2012)

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