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Tecnologia Social (TS) – definida pela Rede de Tecnologia Social RTS (rts.org.br) como produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social. Conjunto de técnicas, metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida (RTS). A TS utiliza as tecnologias existentes e cria novas tecnologias integrando os saberes acadêmicos e tradicionais/populares, com a participação dos atores sociais, na perspectiva de promover o desenvolvimento humano, socioambiental, cultural e econômico, e de aproximar as demandas sociais da produção de conhecimento. Inverte o papel tradicional do sujeito na sociedade de agente passivo das políticas públicas para ator central do processo de construção das condições para o desenvolvimento humano sustentável. Assume a problematização conjunta da realidade e a conseqüente especificação e construção de soluções que afetam a comunidade respeitando e valorizando a história, a cultura e o conhecimento local inspirada nos seus princípios, sob a ótica transdisciplinar. Pretende que as ações e as iniciativas propostas possibilitem o desenvolvimento de outros projetos que contribuam para a promoção de uma efetiva transformação socioambiental. No plano conceitual, a Tecnologia Social propõe uma forma participativa de construir o conhecimento, de fazer ciência e tecnologia apontando para uma alternativa de intervenção na sociedade que direciona para o desenvolvimento no sentido amplo da palavra, de realização das possibilidades do ser humano. No plano material, as experiências estão aplicando a ideia de TS na construção de soluções para questões sociais variadas. É a experiência levada a cabo no plano material que demonstra a viabilidade e eficácia da TS como conceito e cria a base de uma nova concepção de intervenção socioambiental. A TS estimula esforços no sentido de alargar as fronteiras de aplicação dos conhecimentos já disponíveis e de criar novas tecnologias comprometidas com os interesses sociais dos segmentos excluídos pelas ações do mercado, com foco em suas demandas e respeitando suas características e potenciais.

Teorética – conhecimento especulativo, contemplativo, independente de aplicações.

Territorialidade – conjunto de atributos político-institucionais (Estado), econômicos (modo de produção), culturais (universo subjetivo e simbólico) e ecossistêmicos, cujas relações são espacialmente referenciadas e constitutivas dos lugares e territórios. (LOUREIRO, 2012).

Território  - O território não é apenas o conjunto de sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas; o território tem que ser entendido como território usado, não o território em si. O território usado é o chão mais a identidade. A identidade é o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é o fundamento do trabalho; o lugar da residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida (SANTOS, 2006, p.8).

Trabalho – Sob o enfoque da constituição do ser social (ontológico), é uma atividade pela qual a consciência humana deixa de ser uma mera adaptação ao meio ambiente para se configurar como uma atividade autogovernada. Ë o elemento mediador entre o ser humano e a natureza constituindo-se como um processo que, simultaneamente, altera a natureza e autotransforma o próprio ser que trabalha, tornando-o consciente de si mesmo (ANTUNES, 2006). Sob o enfoque histórico com base nas relações de produção capitalistas, o trabalho torna-se alienado quando o sujeito não se reconhece no que faz nem é dono do que produz, o que configura sua transformação em objeto (coisificação), com perda da sua autonomia e autoconsciência.

mediação ontologicamente necessária entre o ser humano e a natureza; atividade que implica dispęndio de energia, pela qual produzimos meios c objetos que nos permitem sobreviver e a partir da qual estruturamos a vida social em múltiplas relações com outras dimensões da existência humana. Contudo, o trabalho não pode ser definido apenas sob o foque da constituição do ser social (ontológico). Deve ser lido sob o prisma histórico também. Nesse sentido, se o trabalho é determinação para nossa constituição e satisfação, o modo como operam as relações no capitalismo definem um trabalho alienado, desumanizador; que precisa ser superado na busca do trabalho livre, colaborativo. (LOUREIRO, 2012).

Transdisciplinaridade - termo usado inicialmente por Piaget para designar o procedimento metodológico que visa à construção de um saber não fragmentado e uma percepção integrada da realidade. Diferentemente da multidisciplinaridade, que ocorre quando a solução de um problema demanda informações de várias ciências ao mesmo tempo, sem que as disciplinas envolvidas no processo sejam elas mesmas modificadas ou enriquecidas, e da interdisciplinaridade, que diz respeito ao enriquecimento de um tópico de uma disciplina pela associação das perspectivas das várias disciplinas podendo haver transferência de métodos de uma disciplina à outra, a transdisciplinaridade interessa-se pela dinâmica gerada pela ação de diferentes níveis de Realidade[1] ao mesmo tempo, pois “na presença de vários níveis de Realidade, o espaço entre as disciplinas e além das disciplinas está cheio, assim como o vazio quântico está cheio de possibilidades” (Nicolescu, 1999, p. 2).  Etimologicamente, trans é o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas, remetendo à idéia de transcendência para a qual a compreensão do mundo presente é fundamental, sendo um dos imperativos a unidade do conhecimento. A transdisciplinaridade fundamenta-se na busca dinâmica do desequilíbrio/equilíbrio entre o ser humano exterior e seu padrão organizativo interior. Realiza a cooperação, a conexão e o diálogo transmigratório de diversas disciplinas para construir novos referenciais conceituais e metodológicos, promovendo a troca entre os saberes científicos e os não-científicos. O campo ambiental revela-se como um relevante objeto dessa abordagem metodológica por apresentar temas e problemas que se expressam mediante distintas esferas de interação em múltiplos níveis de realidade passíveis da intervenção de sujeitos que dominam e integram informações e percepções de diversos olhares especializados e por permitir uma perspectiva unificadora para os diferentes campos do conhecimento. Como objeto transdisciplinar, o meio ambiente constitui-se um desafio porque traz incertezas para as bases teóricas e metodológicas sobre as quais se organizam as diferentes ciências que o perscrutam. O conjunto dos níveis ou dimensões da realidade com sua zona de não-resistência constituem o objeto transdisciplinar. Cada uma das dimensões da realidade é construída pela capacidade representativa do universo disciplinar de cada um dos pesquisadores e seus respectivos conhecimentos e paradigmas. Ao interpretar os fenômenos para os quais a sua formação disciplinar o qualificou, o sujeito percebe uma realidade, dando-lhe sentido lógico e informacional, segundo as lógicas de seus paradigmas e as informações de seu domínio lingüístico. O conjunto dos níveis de percepção com sua zona de não-resistência constituem o sujeito transdisciplinar. A multireferencialidade do sujeito transdisciplinar diz respeito à existência de diversos níveis de percepção da realidade e do seu histórico de referência, que inclui sua experiência, crenças e saberes, na construção desta percepção. A cada nível de percepção corresponde um nível de realidade. Numa equipe transdisciplinar exige-se do sujeito uma capacidade de transitar por diversas percepções e suas epistemes, cada qual com um conjunto de referências históricas construídas a partir das experiências de vidas individuais. A verticalidade do acessamento à cognição transdisciplinar diz respeito à existência de um espaço dentro do qual estão dispostas as diversas zonas dimensionais de realidades e de percepções, para as quais o sujeito transita no nível cognitivo sem resistência epistêmica, conceitual  e lingüística. Essa “zona de não-resistência corresponde ao sagrado - aquilo que não se submete a nenhuma racionalização” (Nicolescu, 2002, p. 54) e que, do ponto de vista da complexidade, constitui-se da relação que acontece entre o sagrado do humano e o sagrado do ambiente, cuja pertinência entre ambos os sagrados leva à transcendência do humano (Silva, 2005, p. 69). Para Nicolescu, 

“o problema do sagrado, entendido como a presença de algo, irredutivelmente real no mundo, é inevitável para qualquer abordagem racional do conhecimento... Podemos afirmar ou negar a presença do sagrado no mundo e em nós, mas para a elaboração de um discurso coerente sobre a realidade, é obrigatório fazer referência a ele” (2002: 59). 

A reconstrução das relações humanas e a organização de práticas micropolíticas e microssociais, baseadas em novas solidariedades que respeitem as culturas particulares e locais, dependem de novos referenciais conceituais e metodológicos que percebam o mundo como dinâmico e dialético, uma totalidade em constante fluxo de energia, de eventos e de processos em transformação, e como rede de relações na qual todas as partes do universo se fundem em uma interdependência de fenômenos físicos e antropossociais.

Transversalidade – de origem teórico-política no chamado ‘pensamento de 69’ com destaque em Félix Guattari, um dos seus precursores, para quem a degradação ambiental não se restringe à degradação ecológica dos territórios físicos/biológicos da vida mas, também, à degradação do ser humano nas suas múltiplas dimensões (lúdicas, estéticas, éticas, filosóficas e culturais) expressas em algumas manifestações humanas, dentre elas, a ausência de palavras e gestos de gentileza, a banalização da violência e a incapacidade de indignar-se com a injustiça ( Guattari, 1991, p.43). Nessa perspectiva, a transversalidade surge como uma alternativa educativa/pedagógica para compreensão do mundo a partir da relação entre a realidade e a indissociabilidade do ser humano com a natureza, caracterizando-se por não hierarquizar o conhecimento, nem separar a ciência da arte e do cotidiano (NEFFA&OLIVEIRA, 2004).  

Transcendência – que ultrapassa do sujeito para algo superior, além de si. Para Heidegger, “transcendência significa superação”.

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