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Alienação – do latim alienare, significa o processo pelo qual alguém ou alguma coisa é obrigado a se tornar outra coisa diferente daquilo que existe propriamente no seu ser (CHIODI, 1965). No senso comum, o conceito de alienação relaciona-se à idéia de alguém que não tem interesse pelo que ocorre no mundo vinculando-se, assim, ao fator psicológico, mental ou cognitivo. Segundo Bobbio, Matteucci e Pasquino (2000, p. 20), “o uso corrente do termo designa, frequentemente em forma genérica, uma situação psicossociológica de perda da própria identidade individual ou coletiva, relacionada com uma situação negativa de dependência e de falta de autonomia. A alienação, portanto, faz referência a uma dimensão subjetiva juntamente a uma dimensão objetiva histórico-social. Neste sentido se fala: de Alienação mental como estado psicológico conexo com a doença mental; de Alienação dos colonizados enquanto sofrem e interiorizam a cultura e os valores dos colonizadores; de Alienação dos trabalhadores enquanto são integrados, através de tarefas puramente executivas e despersonalizadas, na estrutura técnico-hierárquica da empresa individual, sem ter nenhum poder nas decisões fundamentais; de Alienação de massas enquanto objeto de heterodireção e de manipulação através do uso dos mass media, da publicidade, da organização mercificada do tempo livre; de Alienação da técnica, como instrumentação dos aparelhos para que funcionem segundo uma lógica de eficácia e de produtividade independente do problema dos fins e do significado humano de seu uso”. Numa perspectiva crítica, ser alienado significa o não reconhecimento do sujeito naquilo que cria, produz, e em sua relação com o outro. Esse estranhamento do sujeito se materializa no âmbito das relações de produção capitalistas onde ocorrem formas privadas de expropriação do trabalho humano e estratégias de subsunção do valor de uso ao valor de troca em função dos interesses do mercado.

– conceito que ficou muito marcado no senso comum como sendo vinculado estritamente ao fator psicológico, mental ou cognitivo. Alienado, nesta perspectiva, com forte tom pejorativo e de julgamento, é aquele que năo sabe o que se passa no mundo, um..desinteressado pela realidade.Para a tradiçăo crítica, alienada é a relaçăo objetivada no marco do capitalismo, afetando a subjetividade humana. É assim classificada visto que alienar-se significa estranhar-se,năo se reconhecer no que produzimos, criamos, na relaçăo com o outro. Isso decorre das formas de expropriaçăo inerentes aos processos de apropriaçăo privada do que geramos e da subsunçăo do valor de uso ao valor de troca, ou seja, das necessidades humanas aos interesses do mercado. Desse modo, na sociedade atual, todos nós somos em alguma medida, de formas diferenciadas e com mediaçőes específicas, alienados e nos estranhamos em relaçăo ao outro, seja este um produto de nosso trabalho, uma pessoa ou a natureza. De modo categórico, Marx afirma em seus Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1848: "Já que o trabalho alienado aliena a natureza do homem, aliena o homem de si mesmo, o seu papel ativo, a sua atividade fundamental, aliena do mesmo modo o homem a respeito da espécie; transforma a vida genérica em meio de vida individual. Primeiramente, aliena a vida genérica e a vida individual; depois, muda esta última na sua abstraçăo em objetivo da primeira; portanto, na sua forma abstrata e alienada". (LOUREIRO, 2012)

Alteridade – natureza ou condição do que é outro, do que é distinto.

Análise filológica – estudo histórico da linguagem.

Anacronismo – atribuição de ideias e de sentimentos a uma época ou a um personagem que são de outra época.

Animismo – crença difusa nos povos primitivos de que as coisas naturais são animadas. No Renascimento, a concepção animista da natureza, expressa na arte e na literatura pagãs da Antiguidade, é retomada pelos humanistas que a retratam nas poesias, nas pinturas e nas esculturas da época. Uma volta a essa concepção, já superada, implicava em se perceber a natureza como obra do acaso, não dependente de leis, sendo, portanto, imprevisível e passível de ser observada. Essa volta à natureza viva possibilitou o ressurgimento da magia e das ciências ligadas à natureza, como a alquimia e a astrologia O estado de espírito persistente até o Renascimento é rompido, no século XVII, com a aproximação da ciência com a arte. Com tal estreitamento, a estrutura da natureza e, conjuntamente, a estrutura da sociedade sofreram uma remodelação completa, na medida em que a arte de fabricar transformou-se no protótipo da ciência. O homem redefine o seu conhecimento e assume posturas capazes de nortear atitudes conquistadoras da natureza (NEFFA, 2001, p. 14).

Ambientalismo – fenômeno político e social que, no século XIX, emerge como um movimento naturalista em reação à deterioração provocada pela Revolução Industrial, por um lado arraigado aos valores e interesses da aristocracia inglesa e, por outro, às demandas do operariado que, impulsionado pelos sindicatos, exigia melhores condições de vida e de trabalho. Dessa vertente discursiva de corte romântico resultou a aparição das primeiras organizações conservacionistas na Inglaterra e nos Estados Unidos que, por sua vez, impulsionaram a criação dos parques nacionais norte-americanos (Yellowstone, 1872). Na segunda metade do século XX, surge com um perfil contestatório diante da devastação da II Guerra Mundial, da mudança tecnológica na esfera da produção e da contaminação por ela gerada, tanto nos Estados Unidos como na União Soviética. Este movimento tem se expressado em três principais correntes: a primeira caracteriza-se como ecologista conservacionista ou sustentabilidade forte, com raízes no naturalismo do século XIX, nas idéias ecocentristas de Leopold e na postura da ecologia profunda; a segunda denomina-se ambientalismo moderado ou sustentabilidade débil e apresenta-se sob enfoque antropocêntrico e desenvolvimentista expressando-se teoricamente na chamada economia ambiental, que deu origem ao desenvolvimento sustentável; e a terceira, a humanista crítica, responde às necessidades e às peculiaridades dos países em desenvolvimento. Em 1970, essa corrente se expressa na proposta do ecodesenvolvimento e, posteriormente, no desenvolvimento sustentável postulando uma mudança social radical para atender as necessidades da maioria, através da utilização responsável dos recursos naturais (GAUDIANO & KATRA, 1976, pp. 48-9). Além dessas, duas outras subcorrentes são apontadas: a anarquista, herdeira das teses do ecodesenvolvimento com base na ecologia social, e a marxista, que se sustenta teoricamente em Foster (1994), O’Connor (1991) e em Enzesberger (1979) postulando que o principal problema consiste na forma de organização social do trabalho, que determina quais e como usar os recursos, daí surgindo mudanças na propriedade social dos meios de produção. Outras classificações reconhecem tipos de ecologismo como a ecoeficiência e o ecologismo dos pobres, dentre outras. Para Loureiro (2012), em sua composição diverso, complementar e conflitante, o ambientalismo é o ideário e a identidade de grupos, redes e movimentos sociais de múltiplas orientações político-ideológicas que têm como eixo comum a discussão sobre a relação sociedade-natureza. 

- ideário e identidade de grupos, redes e movimentos sociais de múltiplas orientaçőes polítíco-ídeológicas, tendo como eixo comum a discussăo acerca da relaçăo socidade-natureza. Por essa razăo, o ambientalismo é em sua composiçăo diverso, complementar e conflitante. (LOUREIRO, 2012)

Ambientalismo dos pobres – também conhecido como ecologismo dos pobres, popular ou da sobrevivência, fundamenta-se nos movimentos ecologistas, que combatem os efeitos da modernização agrícola e a exploração científica da natureza, assim como, nos movimentos campesinos e indígenas de resistência contra a desapropriação dos recursos naturais e dos bens ancestrais. O ecologismo dos pobres reconhece a existência de uma dívida ecológica dos países em desenvolvimento e o chamado dumping ecológico, definido como venda de bens com preços que não incluem a compensação das externalidades ou o esgotamento dos recursos naturais causados pelo comércio entre o Sul e o Norte (MARTINEZ-ALIER, 2005)

Ambiente – conjunto de elementos naturais e culturais que compõe sistemas dentro dos quais interagem todas as formas de vida, apresentando-se como um espaço de convivência, de interações múltiplas e complexas, visíveis e invisíveis entre o mundo natural e o mundo social. Pode ser considerado como um valor que tem significados diferenciados para diversas comunidades em determinados territórios e momentos históricos. Daí, não ser uma categoria dada, mas construída com base nas relações que os seres humanos estabelecem entre si e com a natureza e que envolvem saberes, práticas, culturas, valores, interesses e necessidades.

Área Protegida – Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica (MMA, 1998) é a “área definida geograficamente que é destinada ou regulamentada, e administrada para alcançar objetivos específicos de conservação”. A Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera área protegida como uma “área de terra ou de mar definida especificamente para a proteção e a manutenção da diversidade biológica e dos recursos naturais e culturais associados, e gerida por meios legais ou outros que sejam efetivos”. A definição internacionalmente aceita de área protegida corresponde ao conceito jurídico brasileiro de unidade de conservação, tendo em vista que o ordenamento interno brasileiro não tem uma definição de área protegida.

Assimetrias sociais – Refere-se à apropriação desigual dos bens materiais e culturais disponíveis na sociedade. Enquanto uma minoria da população mundial tem acesso  a produtos de primeira qualidade,  a  outra  grande  parte disputa sobras dos recursos existentes. Com a mundialização da economia, multiplicam-se os espaços de poder, ao mesmo tempo em que se ampliam as desigualdades sociais.

significa o contraste no que se refere aos indicadores sociais e econômicos, onde a riqueza está extremamente concentrada em uma pequena parcela de uma dada sociedade, alijando os demais do acesso aos bens e serviços necessários a subsistência. As assimetrias são mais acentuadas em nações que não possuem políticas públicas comprometidas com a solução dos problemas relativos à diminuição dos níveis de desigualdades e de exclusão social, tanto nas áreas urbanas como nas áreas rurais (Lemos e Nunes, 2010).

Atores sociais – sujeitos históricos que, por meio de processos de organização, atuam em determinado território, influenciando sua dinâmica.

conjunto de pessoas que se organizam e atuam de diferentes formas em determinado territórios, influenciando a dinâmica da sua área. Săo geralmente grupos que habitam, trabalham ou usufruem dos recursos do espaço territorial, caracterizando-se como seus principais beneficiários ou vítimas. Os atores sociais podem ser qualificados em diferentes grupos, como faixa etária, socioeconômica, religiosa, cultural, trabalhista etc., ou pelo modo como se organizam. A escolha dos critérios para levantamento dos tipos de atores sociais em determinada localidade depende diretamente da finalidade da investigação. (LOUREIRO, 2012)

Autonomia – a palavra autonomia origina-se do grego autós (o próprio) mais nómos e possui duas acepções: “lei” e “convenção”, com o sentido de “lei própria” ou “convenção própria”. Para Castoriadis (2007), a autonomia se expressa individual e coletivamente e essas duas dimensões são inseparáveis. Quando se expressa individualmente significa o domínio do consciente sobre o inconsciente, isto é, a substituição do discurso do outro pelo seu próprio, o autogoverno, a pessoa sendo a lei para si mesma. Na perspectiva de elaboração do discurso do outro (seja instituição, indivíduo etc) e de reunião de um conjunto de ações que favoreçam a discussão consciente de qualquer tipo de norma a ser implementada é a expressão coletiva da autonomia.

significa estabelecer condições de escolha em que năo haja tutela ou coerção. Ou seja, em que os sujeitos não sejam dependentes de outrem para conhecer e agir, seja o Estado, o partido, uma elite econômica, política ou intelectual, um filantropo ou uma empresa. Isto não significa que formas institucionais năo sejam necessárias para a ação em sociedade, pelo contrário, mas sim que tais formas devem se subordinar aos interesses e necessidades dos grupos sociais. Autonomia é uma condição incompatível com coerção (expressăo última da alienação na relação eu-outro), e exige organização coletiva para que se viabilize. (LOUREIRO, 2012)

Núcleo de Referência em Educação Ambiental

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