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Walden ou a vida nos bosques

THOUREAU, Henry David. Walden ou A vida nos bosques. Tradução de Astrid Cabral. São Paulo: Global, 1984.

Mais que um relato autobiográfico ou simples descrição do ambiente, este livro, editado pela primeira vez em 1854, é um ensaio sobre o ser humano e a natureza. É hoje considerado, juntamente com os “Ensaios” de Emerson, a obra literária mais significativa do Transcendentalismo, movimento religioso que floresceu na Nova Inglaterra em consequência do impacto do idealismo pós-kantiano nos Estados Unidos.

Coerente com sua condição de autor romântico, Thoureau apresenta a natureza como alvo de uma experiência pessoal e direta, alicerçada na emoção. Para ele, o ser humano não está acima da natureza, mas é parte integrante dela. A cosmovisão de Thoreau não propõe uma hierarquia com o homem no ápice feito dono ou rei do mundo. Afirma que “a natureza do homem não difere muito daquela nos animais” – percepção corroborada, mais tarde, por experiências científicas, inclusive as realizadas pelo psicólogo norte-americano Skinner, autor, diga-se de passagem, de uma utopia educacional intitulada “Walden Two”. É provável que a rejeição dos transcendentalistas no que se refere à onipotente autoridade da Bíblia esteja também no cerne dessa atitude para com a natureza. De acordo com Arnold Toynbee, as raízes da dominação sobre a natureza e consequente poluição ambiental devem ser pesquisadas nas religiões que, como a hebraica, dissociam a ideia de Deus da ideia de Natureza, reservado ao homem um papel independente como ser superior destinado a governar o mundo.

Não foi aquela a única intuição profética de Thoureau. Ele também alude a fenômenos que se tornou realidade no século XX: a aviação, a conquista do espaço, o conhecimento da percepção extra-sensorial. Registre-se, ainda, a sua concepção da natureza como um ecossistema, pois aponta a cadeia que vincula a sobrevivência dos seres e a identificação das criaturas com seus ambientes. Assim, tem-se além do amor franciscano, a reverência panteística que o torna um ecologista de vanguarda muito tempo antes que as populações urbanizadas e vítimas do progresso industrial se conscientizassem da poluição e se voltassem para a preservação e a defesa do patrimônio natural.

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